PARTE 3: O Último Presente de Nora
Após terminar de ler as cartas, restava apenas um pacote.
Aquela que era dirigida a ambos.
Dentro havia fotografias, uma coroa de papel dobrada e um último envelope.
Na frente, Nora havia escrito:
**LEIA ISTO EM VOZ ALTA.**
Leila riu em meio às lágrimas.
“Ela continua mandona.”
—Ela era mais velha — respondi.
“Durante sete minutos completos.”
Pela primeira vez em anos, a piada nos fez sorrir.
A carta começava num tom brincalhão, imaginando nossas vidas adultas e nos provocando exatamente como Nora sempre fazia.
Então a mensagem ficou séria.
“Por favor, não deixe que eu me torne o obstáculo entre vocês.”
Tenho medo de que, depois que eu partir, vocês só vejam o que está faltando quando olharem um para o outro.
Mas vocês não são as irmãs que ficaram para trás.
Vocês são Gia e Leila.
Vocês são as minhas pessoas favoritas.
As lágrimas embaçavam cada palavra.
Ele nos pediu para continuarmos comemorando aniversários.
Rir.
Discutir sobre absurdos.
Viver a vida ao máximo.
E então ele nos deu uma última tradição.
"Guarde um pedaço de bolo para mim em todos os aniversários."
Em seguida, contem um ao outro algo de bom que aconteceu com vocês naquele ano.
Não são coisas tristes.
As coisas boas.
Quero saber se você viveu.
No final da carta havia uma última instrução.
**OLHE POR BAIXO DA COROA DE PAPEL.**
Por baixo havia uma pequena fita cassete.
Mamãe deu um suspiro de espanto.
“Eu tinha me esquecido completamente disso.”
Corremos para encontrar um toca-fitas antigo.
No momento em que a gravação começou, a sala se encheu de estática.
Então, ouviu-se uma voz que nenhum de nós ouvia há dez anos.
Nora.
Pequeno.
Frágil.
Vivo.
"Oi, Gia. Oi, Leila. Oi, mãe."
Leila imediatamente agarrou minha mão.
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