Nossa irmã trigêmea faleceu quando tínhamos apenas onze anos. No nosso aniversário de 21 anos, mamãe nos deu uma caixa que ela havia deixado.

PARTE 1: A irmã que nos manteve unidos

Era uma vez três irmãs.

Eu, Leila e Nora.

Muitas vezes as pessoas acreditam que o tempo cura todas as feridas, mas algumas perdas simplesmente aprendem a se esconder sob a superfície. A nossa foi uma delas.

Depois que Nora morreu, estranhos começaram a se referir a Leila e a mim como gêmeas. Era mais fácil para eles assim. Mais fácil do que admitir que antes éramos três meninas em vez de duas.

Mas Leila e eu nunca nos sentimos como gêmeas.

Nos sentíamos como fragmentos de algo que havia se quebrado.

Nora era sete minutos mais velha do que nós, um fato que ela tratava como se lhe conferisse autoridade permanente sobre nossas vidas.

"Eu sou a mais velha", anunciou ela com orgulho. "Isso significa que eu tomo as decisões."

Leila gemia todas as vezes.

“Sete minutos não é tempo nenhum.”

—Claro — respondeu Nora com um sorriso.

Essas discussões se tornaram a trilha sonora da nossa infância.

Risadas ecoavam pelos corredores. Almofadas voavam pelos cômodos. Giz de cera aparecia misteriosamente nas paredes, apesar dos repetidos avisos de nossa mãe exausta.

Sempre que Leila e eu discutíamos sobre brinquedos, roupas ou lugares à mesa, Nora intervinha como uma pequena diplomata.

"Ela teve isso ontem", reclamou Leila.

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