Nossa irmã trigêmea faleceu quando tínhamos apenas onze anos. No nosso aniversário de 21 anos, mamãe nos deu uma caixa que ela havia deixado.

—E você pode ficar com ele amanhã — respondeu Nora calmamente. — Hoje é a vez da Gia.

“Você sempre fica do lado deles.”

"Não", insistiu Nora. "Estou do lado da paz."

Então ele fazia uma careta ridícula até que nós dois caímos na gargalhada.

Essa era Nora.

Ela levava alegria aonde quer que fosse.

Ela amarrava nossos cadarços quando nos atrasávamos. Guardava secretamente os doces favoritos da Leila. Durante as tempestades, sempre dormia entre nós duas porque acreditava ser seu dever nos proteger.

Em uma noite tempestuosa, os trovões fizeram as janelas vibrarem com tanta força que a casa inteira tremeu.

Leila foi a primeira a entrar na cama de Nora.

Cheguei logo depois.

Sem abrir os olhos, Nora levantou o cobertor.

"Vocês dois são péssimos em fingir que são corajosos", murmurou ele.

Leila se encolheu contra um dos lados.

Decidi optar pela outra opção.

"Você também está com medo", sussurrei.

"Não", respondeu Nora sonolenta. "Eu sou responsável."

Ela era apenas uma criança.

No entanto, de alguma forma, ele dedicou sua vida a cuidar de todos os outros.

Então tudo mudou.

No início, os adultos cochichavam nos cantos.

Eles pensaram que, falando baixo, conseguiriam esconder a verdade.

Mas Nora sempre entendia mais do que as pessoas imaginavam.

Sua primeira internação no hospital pareceu-lhe irreal.

O forte cheiro de desinfetante.

Luzes brilhantes que pareciam nunca se apagar.

Adesivos coloridos de desenhos animados tentam, sem sucesso, alegrar o ambiente.

Leila puxava nervosamente a manga do seu suéter.

"O que há de errado com Nora?", perguntou ele.

Mamãe forçou um sorriso.

“Ela está cansada.”

Nora revirou os olhos.

“Eu não sou um bebê, mãe.”

Por um instante, todos riram.

Mas mesmo assim, algo parecia diferente.

Nora parecia menor dentro daquela cama de hospital.

Seus pulsos pareciam finos demais.

Parecia que estava cada vez mais difícil para ele manter o sorriso.

Mesmo assim, ela se importava mais conosco do que consigo mesma.

"Parem de parecer tão preocupados", brincou ele. "Vocês dois estão com uma aparência estranha."

Leila caiu em prantos.

Fiquei paralisada ao lado da cama, agarrando-me à grade com tanta força que minhas mãos doíam.

Pensei que, se aguentasse tempo suficiente, nada mudaria.

Cometi um erro.

Porque, por mais que nos agarrássemos com todas as nossas forças, não conseguíamos impedir o que estava por vir.

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