A casa, que poucas horas antes fervilhava com os sons de uma banda de jazz ao vivo, risos e o tilintar de copos, agora parecia silenciosa como um túmulo.
As mesas no jardim ainda estavam perfeitamente arrumadas, os restos do banquete permanecendo como prova do engano daquela noite.
A grande placa decorativa com os nomes de Caleb e Katherine ainda estava pendurada torta perto da entrada principal.
Na sala de estar, Grace estava sentada, olhando fixamente para uma fotografia profissional dos recém-casados, sorrindo radiantes em frente ao altar, e sentia como se a imagem pertencesse a uma vida completamente diferente, mais feliz, que havia sido apagada.
Às quatro horas da manhã, a pesada porta da suíte de hóspedes abriu-se lentamente, rangendo.
Katherine saiu, com o véu de noiva perdido na escuridão, a maquiagem borrada nas bochechas e o vestido ainda colado ao seu corpo esguio.
Ela caminhou diretamente em direção a Grace, e antes que a mulher mais velha pudesse dizer uma única palavra, Katherine caiu de joelhos a seus pés.
"Por favor, você precisa me perdoar", disse Katherine, com a voz fraca e embargada.
Grace sentiu uma onda de pânico materno percorrer seu corpo.
"Perdoar-te por quê, minha querida? Por favor, levanta-te e vem sentar-te comigo", implorou ela, abaixando-se para a ajudar.
Katherine balançou a cabeça com força, recusando-se a levantar-se do chão.
“Perdoe-me, pois eu sabia que Caleb já havia sido apaixonado por outra mulher”, admitiu ela, com a voz trêmula.
“Mas eu não sabia que ele havia se casado comigo especificamente para me punir por sua ausência”, acrescentou ela.
Grace finalmente a ajudou a se levantar e a levou para a cozinha, onde, com as mãos trêmulas, lhe serviu um copo d'água.
"Conte-me tudo, não omita nada", insistiu Grace, com voz suave, mas firme.
Katherine respirou fundo, com um tremor, antes de começar a falar.
“Quando finalmente entramos no nosso quarto, ele estava agindo de forma completamente estranha e distante”, começou ela.
“No início, ele falou comigo de forma bastante gentil, perguntando se eu queria algo para beber, e trancou a porta atrás de nós”, continuou ela.
“Mas aí toda a sua postura mudou, e ele me olhou com tanto veneno que me senti uma completa estranha, uma inimiga”, explicou ela.
“Ele me disse que naquela noite eu finalmente entenderia exatamente o que significava ter minha vida completamente destruída por outra pessoa”, acrescentou ela, com os olhos marejados novamente.
Grace fechou os olhos, tentando afastar a imagem de seu filho sendo capaz de tamanha crueldade.
"Ele te tocou? Ele te machucou fisicamente?", perguntou ela, com a voz embargada pela preocupação.
“Não, ele não me tocou, mas me encurralou contra a parede até que eu não tivesse mais para onde ir”, respondeu Katherine.
“Ele falou longamente sobre Beatrice, dizendo que eu havia arruinado a vida dele, que por minha causa ela perdeu o emprego, a família e, por fim, o perdeu”, continuou ela.
"Eu não fazia ideia do que ele estava falando, e quando tentei explicar, ele deu um soco na parede bem ao lado da minha cabeça, e foi aí que eu gritei", concluiu ela.
Grace sentiu um enorme alívio e, ao mesmo tempo, um horror absoluto; o pior ainda não tinha acontecido, mas o que havia acontecido já era suficiente para destruir qualquer casamento de forma irreparável.
Ela deixou Katherine descansando na cozinha e caminhou em direção ao quarto de Caleb.
Ela o encontrou sentado no chão, segurando um caderno de couro velho e surrado nas mãos.
“Agora você vai falar comigo”, disse Grace, com a voz firme como ferro.
“E você não vai mentir para mim mais uma vez”, acrescentou ela.
Caleb abriu o caderno, seus dedos tremendo sobre as páginas amareladas.
“Há três anos, eu planejava me casar com Beatrice”, disse ele, em um sussurro.
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