Suficiente.
"Você envenenou o seu próprio prédio", eu disse.
“Eu não sabia que havia pessoas morando naquela casa quando os empreiteiros a lacraram.”
"Mentiroso."
"Era para ser temporário. O mofo, os resíduos químicos, tudo... Rourke disse que era administrável. Aí o Oliver começou a ficar doente e a Emily começou a fazer perguntas."
O mundo inteiro ficou em silêncio.
A asma não tinha sido azar.
Não totalmente.
Foi negligência disfarçada com pintura e cheques de aluguel.
E David transformou a doença do filho em uma oportunidade para receber o dinheiro do seguro.
Encerrei a chamada antes de matá-lo por telefone.
No subsolo, o elevador de carga permaneceu aberto.
Vazio.
A porta da doca de carga balançava com a chuva.
Lá fora, marcas de pneus cortam as poças.
Nico apontou. "Van preta. Sem placa."
Ele já estava ligando para todos os homens em quem confiava.
“Clínica em Ashland”, eu disse. “Agora mesmo.”
PARTE 4 — A MULHER QUE NÃO QUEBROU
Emily recuperou a consciência ao sentir o cheiro de antisséptico, poeira e algo que lhe lembrou um antigo terror.
Sua cabeça doía terrivelmente. Ele sentia uma sensação de queimação nos pulsos. Uma placa de metal frio pressionava sua coluna.
Por um breve instante, ele teve certeza de que estava em um hospital.
Então, seu olhar se fixou nos azulejos verdes rachados, em uma lâmpada de exame quebrada pendurada no teto e em um homem de ombros largos enxaguando o sangue dos nós dos dedos em uma pia enferrujada.
Não é um hospital.
Apenas um lugar que finge ser um.
O homem se virou.
Ele tinha ombros largos e uma cicatriz que dividia uma das sobrancelhas quase ao meio. Ela o reconheceu do corredor do hotel. Aquele que havia chegado primeiro até Oliver.
Seu filho.
O pânico a dominou com tanta intensidade que ela quase se afogou.
Oliver havia se escondido.
Marcus só conseguiu gritar uma palavra antes que as portas do elevador se fechassem.
Vivo.
Emily agarrou-se àquela palavra como se fosse o próprio ar.
O homem enxugou as mãos com uma toalha. "Você causou muitos problemas."
Emily testou as amarras que prendiam seus pulsos. De plástico. Apertadas. Seus dedos estavam dormentes.
“Onde está David?”
O homem sorriu sarcasticamente. "Preocupada com o seu marido?"
"Não", disse ele. "Quero ver a cara dele quando tudo isso desmoronar."
Parte do seu sorriso desapareceu.
Bom.
Homens como ele esperavam lágrimas.
Eles esperavam que eles implorassem.
Emily já havia derramado todas as suas lágrimas nos corredores do supermercado, nas filas da farmácia, por contas atrasadas e em quartos escuros onde seu filho pequeno acordava ofegante.
Ela não tinha nada para ele.
O homem se aproximou. —Você tinha uma pasta.
O coração de Emily deu um salto.
A pasta.
Ele havia retirado tudo do apartamento antes de sair. Na época, não tinha assimilado tudo o que havia lá dentro. Relatórios de inspeção antigos. Fotografias do mofo se espalhando atrás da parede do quarto de Oliver. Notas fiscais de empreiteiros assinadas por David. Uma carta do médico que ele encontrara guardada em uma de suas pastas antigas. Uma carta alertando que a exposição prolongada poderia agravar doenças respiratórias em crianças.
Ela havia copiado algumas das páginas.
Mas os originais permaneceram naquela pasta.
"Onde fica?", perguntou ele.
Emily o encarou com raiva. "Vá para o inferno."
Ele a agrediu.
A dor explodiu em sua bochecha num clarão branco.
A cadeira balançou violentamente, mas permaneceu em pé.
Por um instante, a sala girou.
Então Emily riu.
Nem ela esperava por isso.
O homem piscou.
"Você acha que isso me assusta?", ela sussurrou. "Eu vi meu filho ficar roxo enquanto meu marido me dizia que eu estava exagerando. Você é só um homem com as mãos sujas."
Sua expressão endureceu.
Antes que ele pudesse se mexer novamente, o telefone tocou.
Ele respondeu.
"Sim?"
Emily ouviu atentamente.
Sua expressão mudou.
“Como assim o menino fugiu?”
Um alívio tão repentino a invadiu que todo o seu corpo ficou fraco.
Oliver estava vivo.
Oliver estava a salvo.
O homem olhou para ela e, naquele instante, sentiu raiva em seu íntimo.
“Não. Eu ainda o tenho.”
Uma pausa.
“Não me importo com o que Vale disse.”
Outra pausa.
Então ele baixou a voz.
“David não pode mais alterar o acordo.”
Emily olhou para cima.
Negócio.
A palavra se fixou em sua mente como gelo.
O homem desligou o telefone.
"David está com medo", disse ela.
Ele guardou o celular no bolso. "David é um covarde."
“Você trabalha para ele?”
“Eu trabalho por dinheiro.”
“Ele não vai te pagar.”
“A namorada dele já fez isso.”
Emily ficou paralisada.
Claire.
A mulher que mora na casa em Lake Forest.
Por um instante, a confusão a dominou com tanta força que ela quase perdeu o equilíbrio.
Então a porta da clínica se abriu.
Uma mulher entrou usando um casaco cor creme que parecia completamente deslocado em um prédio como aquele. Seus cabelos escuros estavam cuidadosamente presos para trás. Seus olhos estavam vermelhos, mas não de choro.
Por raiva.
Claire Whitmore.
Emily a reconheceu da festa de Natal na casa de Lake Forest. Certa vez, através de uma janela, ela tinha visto Claire rindo com David debaixo de um lustre.
A mulher que David escolheu.
A mulher que morava na casa que Emily admirara do lado de fora como uma tola.
Claire olhou para o homem.
“Deixem-nos em paz.”
Ele franziu a testa. "Não era esse o plano."
Claire enfiou a mão na bolsa e tirou uma arma.
Sua mão estava tremendo.
O cano não resolveu o problema.
“Eu disse para eles nos deixarem em paz.”
O homem a observou por três segundos antes de levantar as duas mãos e recuar em direção à porta.
"Os ricos", murmurou ele. "Sempre complicando as coisas."
Quando ele saiu, um silêncio se abateu sobre a clínica.
Emily olhou fixamente para a arma.
Claire olhou para ele.
Nenhuma das mulheres falou.
Por fim, Claire baixou ligeiramente a arma.
"Eu não sabia disso", disse ela.
Emily deu uma risada aspera. "Qual parte?"
Claire estremeceu.
“Eu não sabia nada sobre Oliver. Honestamente, não sabia. David disse que eles estavam se divorciando. Disse que estava sendo impedido de ver a criança. Disse que a casa estava em processo judicial.”
“Ele disse muitas coisas.”
"Sim."
Os lábios de Claire tremeram.
“Acreditei nele porque quis.”
Foi a coisa mais sincera que Emily ouvira em toda a noite.
Você pagou aqueles homens?
Claire fechou os olhos.
"Paguei ao Mason para conseguir os documentos do David para você. Ele disse que isso poderia te assustar. Eu pensei..." Ela abriu os olhos, enojada de si mesma. "Pensei que você estivesse chantageando ele."
Emily olhou para seu reflexo machucado em um guarda-roupa próximo. "Por acaso eu pareço uma chantagista?"
"Não."
“Então me desamarre.”
Claire hesitou.
Emily inclinou-se para a frente o máximo que suas amarras permitiram.
“Meu filho tem seis anos. Hoje à noite ele estava com dificuldade para respirar porque David decidiu que ficar com o dinheiro era mais importante do que mantê-lo vivo. Quer perdão? Ótimo. Comece com a tesoura.”
Claire se moveu imediatamente.
Seus dedos tremiam, mas ela usou uma pequena lâmina de sua bolsa para cortar as amarras. O sangue começou a jorrar dolorosamente nas mãos de Emily novamente.
Emily levantou-se muito depressa e quase desmaiou.
Claire a alcançou.
Por um estranho instante, a esposa e a amante ficaram frente a frente em uma clínica abandonada, ambas vítimas do mesmo mentiroso sorridente.
Em seguida, os faróis iluminaram os cacos de vidro.
O rosto de Claire empalideceu.
"Esse não é o Marcus", ela sussurrou.
O homem com cicatrizes irrompeu pela porta novamente.
“Precisamos nos mexer.”
Claire ergueu a arma novamente.
Ele riu.
“Você vai atirar em mim?”
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