PARTE 2
O dono ficou sem palavras, mas não disse uma palavra sequer.
Essa costumava ser a reação quando homens como ele percebiam que eu estava perto o suficiente para ouvir cada frase.
Chicago fervilhava de predadores. Alguns usavam ternos impecáveis e relógios caros. Outros ostentavam distintivos de autoridade. Outros ainda ganhavam a vida extorquindo aluguéis de pessoas que já não tinham forças para se defender, e chamavam isso de negócio legítimo.
Já me chamaram de coisas muito piores do que qualquer um deles.
Mas ali, parada na chuva torrencial, com três inaladores em uma mão e o iPhone quebrado de Emily Carter na outra, minha reputação era a última coisa em que eu pensava.
Minha atenção estava fixa na criança pequena que espreitava por trás da mãe.
Ele não devia ter mais de seis anos.
Pequeno. Pálido. Seus cabelos castanhos e úmidos grudados na testa. Seu peito batia acelerado demais, cada respiração soando como se tentasse abrir caminho através de cacos de vidro.
Emily percebeu que o dono a encarava de um ponto além de onde ela estava.
Ela se virou.
Nossos olhares se encontraram.
Por um breve instante, a confusão cruzou seu rosto.
Depois, o medo.
Essa reação não deveria ter me afetado.
No entanto, era assim que as coisas eram.
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