Apenas para proteção.
Apenas Brenda.
E eu quase perdi meu filho porque ninguém queria denunciar a crueldade quando ela estava bem no meio da sala.
Jacob veio até minha cama, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Sinto muito", disse ele. "Eu não sabia. Juro que não sabia. Papai e eu ficamos lá embaixo mais tempo do que pensávamos. Quando voltamos, Brenda disse que você estava deitada no quarto."
Meus lábios se entreabriram.
“Ela disse o quê?”
Seu rosto se contorceu.
“Ela nos disse que você se sentiu sobrecarregado e foi descansar. Mamãe disse que deveríamos te deixar sozinho.” Sua voz embargou. “Então Lily começou a gritar que você estava lá fora. Corri para a varanda e você estava—”
Ele não conseguiu terminar.
Lembrei-me do rostinho de Lily diante do vidro.
Meus olhos ardiam.
"Onde está Brenda?", perguntei.
Jacob desviou o olhar.
“No final do corredor. Com meus pais.”
Uma risada escapou-me, frágil e horrível.
“Consolá-la?”
“Não”, disse ele rapidamente. “Não, Emma. Eles estão horrorizados.”
“Será mesmo?”
Ele estremeceu.
Eu queria acreditar nele. Uma parte de mim ainda acreditava. Mas a dor tem o poder de dissipar a fumaça de um ambiente. Ela revela onde cada um estava quando o incêndio começou.
Antes que qualquer um de nós pudesse dizer mais alguma coisa, a porta se abriu novamente.
Entrou uma médica, seguida por uma segunda enfermeira e uma mulher de blazer azul-marinho com um crachá de identificação preso ao bolso. A médica tinha por volta de quarenta anos, com olhos cansados e uma expressão calma que me deixou nervosa.
“Sra. Hale”, disse ela, “sou a Dra. Mason. Preciso discutir alguns resultados de exames com a senhora.”
Jacó endireitou-se.
“O bebê está bem?”
“Por enquanto, sim. Mas existem preocupações.”
Meus dedos apertaram o cobertor.
O Dr. Mason lançou um olhar para a mulher de blazer.
“Esta é Dana Morris, assistente social do hospital. Devido às circunstâncias da sua internação, somos obrigados a documentar o ocorrido e elaborar certos relatórios.”
O rosto de Jacob empalideceu.
“Relatórios?”
O Dr. Mason olhou para ele e depois para mim.
“Emma, você chegou com hipotermia leve, resposta significativa ao estresse e contrações prematuras. Só isso já é grave. Mas seus exames de sangue mostraram algo mais.”
A sala ficou em silêncio, exceto pelo monitor.
"O quê?", perguntei.
A voz do Dr. Mason permaneceu cautelosa.
“Foram encontrados vestígios de misoprostol no seu organismo.”
Eu fiquei olhando para ela.
A palavra não me disse nada a princípio. Soava clínica, distante, inofensiva.
Jacob piscou. "O que é isso?"
O Dr. Mason respirou fundo.
“É um medicamento que pode causar contrações uterinas. Tem usos médicos legítimos, mas na gravidez, especialmente com 28 semanas, a exposição sem supervisão pode ser perigosa.”
Meus ouvidos começaram a zumbir.
“Não peguei nada”, eu disse.
“Entendemos”, respondeu o Dr. Mason. “Por isso estamos perguntando. Alguém lhe ofereceu hoje algum alimento, bebida ou medicamento com gosto estranho?”
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