Lily, a sobrinha de Jacob.
Ela tinha sete anos, com grandes olhos castanhos e uma fita de Ação de Graças ainda amarrada torta no cabelo. Ela me encarou através do vidro, e sua boca se abriu num grito silencioso.
Então tudo ficou preto.
Quando acordei, estava rodeado de branco.
Teto branco. Paredes brancas. Um cobertor branco bem apertado ao meu redor. Um bip rítmico ao lado da minha cabeça. Cheiro de antisséptico.
Por um segundo lindo e terrível, pensei que tinha perdido o bebê.
Levei as mãos imediatamente ao estômago.
Ainda estava lá.
Redondo. Pesado. Quentinho debaixo do cobertor do hospital.
Um soluço escapou de mim.
"Calma", disse uma enfermeira, aparecendo ao meu lado. "Você está segura. Seu bebê tem batimentos cardíacos."
Virei-me para ela tão rápido que o quarto inclinou.
“O bebê?”
“Estável”, disse ela gentilmente. “Você teve contrações, mas conseguimos diminuí-las por enquanto. Você está tomando medicação e estamos monitorando vocês dois de perto.”
Tentei falar, mas minha garganta estava irritada.
A enfermeira aproximou um canudo dos meus lábios.
“Seu marido está lá fora”, ela continuou. “Ele está pedindo para vê-la.”
Ao ouvir o nome de Jacob, tudo voltou à tona.
A varanda.
O frio.
Brenda.
A cortina.
Meu corpo enrijeceu.
"Quanto tempo?", perguntei com a voz rouca.
A enfermeira hesitou.
“Quanto tempo fiquei lá fora?”
Seu rosto suavizou-se com algo que parecia raiva, cuidadosamente disfarçada por trás do profissionalismo.
“Segundo os paramédicos”, disse ela, “quase quarenta minutos”.
Quarenta minutos.
O número não parecia real.
Virei o rosto e fechei os olhos.
Alguns minutos. Foi o que Brenda disse.
Você sobreviverá por alguns minutos.
A porta se abriu antes que eu pudesse responder. Jacob entrou.
Ele parecia destruído.
Seus cabelos estavam despenteados, seus olhos vermelhos, sua camisa social amassada como se alguém a tivesse agarrado com força. No instante em que me viu acordada, parou na porta e cobriu a boca com uma das mãos.
“Emma”, ele sussurrou.
Eu havia imaginado, em algum lugar vago entre a inconsciência e a vigília, que eu desabaria em seus braços. Que eu choraria contra seu peito e o deixaria me abraçar.
Mas quando o vi, algo mais frio que o chão da varanda se instalou dentro de mim.
Porque ele passou anos me dizendo que Brenda era simplesmente difícil.
Sendo bem direta.
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