Agarrei-me ao parapeito da varanda com as duas mãos, mas meus dedos já estavam dormentes demais para me segurar direito. O metal queimava como gelo contra a minha pele. Minha respiração saía em rajadas brancas, finas e frenéticas, desaparecendo no ar escuro de novembro.
"Jacó!" gritei.
Minha voz falhou.
Lá dentro, o apartamento brilhava com uma luz quente e dourada. Eu conseguia ver as luzes da sala de jantar, a mesa meio posta, o vapor ainda subindo da molheira. Todos estavam a poucos passos de mim, separados apenas por um painel de vidro e pela crueldade de Brenda.
Bati novamente.
Uma vez. Duas vezes. De novo.
Minhas palmas ardiam. Meus nós dos dedos latejavam. Então a dor passou completamente, o que me assustou ainda mais.
Outra cólica me atingiu, mais forte desta vez, envolvendo minha barriga como um punho. Curvei-me, ofegante, com uma das mãos pressionada sob as costelas.
“Não”, sussurrei. “Não, não, não…”
O bebê se mexeu dentro de mim e depois ficou imóvel.
Foi nesse momento que o verdadeiro terror se instalou.
Eu esqueci da Brenda. Esqueci do orgulho. Esqueci da humilhação de implorar a alguém que me odiava.
Deslizei até ficar de joelhos e bati no vidro com a lateral do meu punho.
"Por favor!" eu solucei. "Por favor, alguém! Me ajude!"
Por um instante, Brenda voltou.
Ela apareceu na cozinha, segurando uma taça de vinho, o rosto corado e calmo. Olhou para mim através da porta como se eu fosse algo desagradável grudado na sola do seu sapato.
Encostei a testa no vidro.
“Brenda”, implorei, mal conseguindo articular as palavras. “Tem alguma coisa errada. Por favor. O bebê.”
Sua expressão mudou.
Não com preocupação.
Com cálculo.
Ela olhou para o corredor e depois para mim. Sua boca se contraiu.
“Você deveria ter pensado nisso antes de fazer tudo girar em torno de si”, disse ela.
Então ela estendeu a mão para a cortina.
E fechou-a com força.
O mundo tornou-se cinza, como tecido, e frio.
Por alguns segundos, não consegui entender o que tinha acontecido. Minha mente se recusava a aceitar. Tinha que haver algum engano. Ninguém poderia fazer isso. Ninguém poderia olhar para uma mulher grávida em sofrimento e simplesmente trancá-la para longe.
Mas a cortina permaneceu fechada.
Os sons do apartamento se perdiam atrás do vidro. Risadas. Um armário se abrindo. Alguém chamando por Jacob. Brenda respondendo, docemente demais.
Tentei ficar de pé, mas minhas pernas cederam sob mim.
O chão da varanda era de concreto. Retinha o frio como um túmulo.
Eu me enrolei de lado, com os braços em volta da barriga, e sussurrei para o meu bebê.
“Fique comigo. Por favor, fique comigo.”
Meus dentes batiam com tanta força que minha mandíbula doía. Meu coração desacelerou, dando batimentos pesados e irregulares. As cólicas continuavam vindo, uma após a outra, mas de alguma forma mais distantes, como se estivessem acontecendo com outra pessoa.
A última coisa de que me lembro foi de ter visto um canto da cortina se levantando.
Um rostinho apareceu.
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