PARTE 1
—Se você mora sob este teto, Lucia, é justo que pague todas as despesas da casa.
Dona Carmen disse isso sem levantar a voz, enquanto mexia uma panela de feijão com uma colher de metal que raspava o fundo como se quisesse arrancar algo de lá.
Lucía estava parada na porta da cozinha, com a bolsa de trabalho ainda pendurada no ombro. Casara com Andrés havia dois meses e começava a entender que, naquela casa em Coyoacán, nada era dito por acaso.
Andrés estava sentado à mesa, olhando para o celular.
Ele não a defendeu.
Ele não perguntou se ela estava cansada.
Ele nem sequer olhou para cima.
—Todos? —Perguntou Lucía, pensando que talvez tivesse entendido errado.
Dona Carmen deixou a colher dentro da panela.
—Eletricidade, água, gás, internet, despensa, manutenção, a faxineira, IPTU quando vence… tudo. Você faz um bom trabalho, não é?
Lúcia sentiu algo apertar seu peito.
—Andrés também trabalha.
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