Dentro dela repousava uma elegante bolsa de couro preto com detalhes em metal dourado polido.
Por um breve instante, todas as aulas práticas que Robert já me havia dado desapareceram da minha mente.
Foi deslumbrante.
Mas no instante em que envolvi meus dedos na alça, algo pareceu estranho.
O couro não estava rígido como o de uma bolsa nova.
Era incrivelmente macio.
Muito macio.
O cabo apresentava a leve curvatura deixada por anos de uso por outra pessoa.
Isso não era novidade.
Outra pessoa era a dona.
Lila sussurrou: "Aquilo provavelmente custa mais do que meu carro."
Todos aplaudiram.
Robert sorriu nervosamente.
“Para minha linda esposa.”
Eu queria acreditar nele.
Então, a ponta dos meus dedos roçou algo escondido dentro de um dos bolsos internos.
Um pedaço de papel dobrado.
Eu não o tirei — não enquanto todos estavam olhando.
Em vez disso, sorri para as fotografias enquanto uma sensação de desconforto se instalava no fundo do meu estômago.
Durante todo o jantar, Robert mal tocou na comida.
Seu telefone vibrou duas vezes, e em ambas as vezes ele o silenciou imediatamente, sem verificar a tela.
Quando minha irmã o provocou, dizendo que nunca imaginou que ele fosse gastar tanto em um presente tão caro, Robert forçou um sorriso.
“Nem eu.”
Deveria ter soado doce.
Em vez disso, algo naquilo parecia dolorosamente errado.
Depois que nossos convidados finalmente foram embora, levei a bolsa para a cozinha.
Robert ficou parado em silêncio junto à pia, encarando o reflexo escuro da janela.
Meti a mão no bolso escondido e desdobrei o papel.
Não havia mensagem.
Sem nome.
Apenas um número de telefone escrito cuidadosamente com tinta azul.
No instante em que Robert viu aquilo, toda a cor sumiu de seu rosto.
"Onde você conseguiu isso?", perguntei baixinho.
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