Do outro lado, ouvi um movimento, seguido de um baque suave, como se tivesse escorregado contra a pia.
-Não pode.
—Você se machucou?
—Não… mas eu não quero sair.
Ajoelhei-me em frente à porta, com o terno bem ajustado, a flor da lapela dobrada e a garganta fechada.
—Lucía, ninguém vai te repreender. Só abra, por favor.
Houve outro silêncio.
Então ouvi a fechadura.
A porta abriu apenas alguns centímetros.
Eu a encontrei sentada no chão, o vestido branco amarrotado, os joelhos encolhidos junto ao peito, o rosto manchado de lágrimas. O coque estava desfeito. As bochechas estavam coradas e ela apertava algo contra o peito.
Entrei devagar, como se um movimento brusco pudesse quebrá-la ainda mais.
-O que aconteceu?
Lúcia tentou falar, mas sua voz falhou.
Eu a abracei.
Seu corpinho tremia de um jeito que eu não via desde o funeral da mãe dela.
"Papai", ela sussurrou, "Vanessa disse que tem medo que eu estrague as fotos do casamento."
Senti o ar saindo do meu peito.
-Que?
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