Então uma vozinha trêmula respondeu: "Papai?"

Lúcia levantou o rosto.

—Ela me disse que hoje você ia começar uma nova família. Que eu tinha que agir como uma mocinha e não ficar me agarrando a você, porque todo mundo ia achar que eu era uma criança triste.

Fechei os olhos.

Não é para quem busca tranquilidade.

Por conter uma raiva que surgiu tão rapidamente que me assustou.

—Ela te contou isso?

Lúcia, a patriota.

—E a mãe dela também.

Fiquei paralisado.

—O que mais eles te disseram?

Minha filha abriu sua mãozinha.

Havia uma pulseira ali.

A pulseira de prata que sua mãe lhe deixou antes de morrer. Aquela que dizia "Luz da minha vida". Lucía sempre a usava em ocasiões importantes. Naquela manhã, eu mesma a havia colocado nela.

Estava quebrado.

"Ela disse que não combinava com o vestido", ela chorou. "Que parecia roupa de funeral."

Senti um zumbido nos meus ouvidos.

Lá fora, a música ainda tocava. O mundo inteiro esperava que eu voltasse ao altar e dissesse: "Sim, aceito".

Mas naquele banheiro minha filha estava estendida no chão, quebrada, por causa da mulher que eu estava prestes a transformar em sua madrasta.

—Foi a Vanessa que te contou?

Lúcia negou prontamente.

—A mãe dela pegou de mim. A Vanessa disse que não estava fazendo disso um grande problema. Eu só queria usar para que a mamãe pudesse estar comigo na foto.

Essa frase me destruiu.

Lúcia não queria estragar o casamento.

Ela queria que sua mãe falecida tivesse um pequeno espaço naquele dia que já era grande demais para ela.

Peguei seu rostinho em minhas mãos.

—Escute com atenção. Você não está estragando nada. Você é minha filha. Minha família começou com você, não hoje.

—Mas Vanessa disse que se eu chorasse, você se cansaria de mim.

Eu me levantei.

Espaço.