Sem-teto, sem saber que era o homem mais rico.Parte 1 Na noite em que sua madrasta ameaçou tirar sua avó doente do hospital, Amara estava descalça na cozinha de uma casa grande, segurando uma certidão de casamento de um homem que dormia na beira de uma sarjeta em Lagos

Seu cabelo era grosso e áspero. Sua barba cobria metade do rosto. Seu caftan marrom estava rasgado no ombro, e seus chinelos pareciam prestes a se desfazer. Ele estava esculpindo um pequeno pedaço de madeira com uma faca cega, seus movimentos lentos e precisos.

Pelo que Amara sabia, seu nome era Kene.

Ela ajoelhou-se no chão úmido à sua frente.

“Por favor, preciso da sua ajuda.”

Ele não respondeu. Nunca respondia a ninguém. Diziam que ele havia perdido a voz por causa da loucura ou do sofrimento.

Amara colocou o papel sobre o caixote de madeira ao lado dele.

“Preciso que você se case comigo no papel. Não é um casamento de verdade. Não vou perturbar sua vida. Vou alimentá-lo todos os dias, dar-lhe um lugar seco para dormir e roupas novas quando eu puder comprá-las. Só preciso do seu nome para que minha avó possa continuar vivendo.

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