Essa frase me veio à mente quando eu estava na metade do caminho para casa e peguei meu casaco.
O banco do passageiro estava vazio.
Meu casaquinho creme ainda estava no apartamento da Eleanor, jogado sobre o encosto da cadeira da sala de jantar. O casaquinho tinha duas florzinhas bordadas perto da gola, feitas pelas próprias mãos debilitadas da minha mãe. Ela dizia que uma flor significava paz. A outra, proteção. Foi a última coisa que ela fez para mim, e eu não podia deixá-lo na casa de outra pessoa durante a noite.
Então, dei a volta com o carro.
As luzes da cidade borravam o para-brisa. Eu me convenci de que era bobagem me sentir inquieta. Eu só estava voltando para pegar um suéter. Tocaria a campainha, pediria desculpas, pegaria o suéter e dirigiria para casa. Amanhã, acordaria cedo, vestiria o vestido que minha mãe me ajudara a escolher e me casaria com o homem que amava há cinco anos.
O elevador do prédio de Eleanor era espelhado em todos os lados. Eu me via de todos os ângulos: ondas suaves no cabelo, batom rosa-claro, vestido azul-marinho para o jantar de ensaio, anel de noivado brilhando sob a luz do teto. Uma noiva, pensei.
Mas o sorriso no espelho parecia forçado.
Quando o elevador abriu no vigésimo segundo andar, o corredor estava silencioso, exceto pelo zumbido baixo das luzes embutidas. Caminhei até a porta preta laqueada de Eleanor e levantei a mão em direção à campainha.
Então ouvi meu nome.
“Harper acabou de sair”, disse Eleanor de dentro. Sua voz era clara, quase alegre. “Graças a Deus. Achei que teria que sorrir até meu maxilar travar.”
Meu dedo congelou no ar.
Chloe riu. "Mãe, você é uma ótima atriz. Ela acha que você realmente a adora."
Meu peito apertou tão repentinamente que mal conseguia respirar.
Por um segundo, minha mente tentou me proteger. Talvez eu tivesse entendido errado. Talvez estivessem brincando. Talvez estivessem falando de outra Harper, mesmo que não houvesse outra Harper em suas vidas e meu casaco ainda estivesse na sala de jantar.
Então Eleanor falou novamente.
“Eu adoro aquela garota há cinco anos por um motivo. Você acha que eu gosto de ouvi-la falar sobre seus projetos e os conselhos da mãe dela?”
O corredor pareceu se deslocar sob meus pés.
Lentamente, baixei a mão.
De dentro, ouviu-se um copo tilintar contra a mesa. A voz de Chloe ficou mais baixa, animada e incisiva. "Depois do casamento, a situação do apartamento fica mais fácil, né?"
“Claro”, disse Eleanor. “Depois de amanhã, Julian pode apelar para o lado emocional. Não para o lado legal. O lado emocional funciona melhor com Harper. Ele vai dizer que se sente como um convidado na própria casa. Vai falar sobre confiança, família, filhos futuros. Ela vai ceder.”
Encostei-me à parede.
A voz da minha mãe ressoou na minha memória. Os papéis me trazem lembranças.
Chloe perguntou: "E depois que o nome dele estiver gravado?"
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