Às nove horas, a campainha tocou.
Fingi que não ouvi. Eu não tinha forças para encarar mais um prato cozido, mais um cartão de condolências ou mais um olhar de compaixão.
Então a campainha tocou de novo.
Em seguida, houve batidas insistentes na porta.
Sentei-me, enxuguei o rosto e abri a porta, pronta para mandar alguém embora.
Mas uma menininha estava parada na minha porta.
Seus cabelos castanhos estavam emaranhados. Suas bochechas estavam molhadas. Uma jaqueta jeans grande demais pendia displicentemente de seus ombros.
Ela carregava a mochila do Randy nos braços.
Minha mão apertou o batente da porta.
"Você é a mãe do Randy?", ela perguntou.
Assenti.
Ela apertou a mochila com mais força. "Você estava procurando por isso, não é?"
"Onde você conseguiu, querida?"
"O Randy me pediu para protegê-lo. Ele era meu amigo."
Meu peito afundou. "Quando ele te disse isso?"
"Naquele dia."
Estendi a mão para a mochila, mas ela recuou.
"Não", sussurrou. "Preciso dizer primeiro, senão vou ficar com medo e fugir."
Engoli em seco. "Qual é o seu nome?"
"Sarah."
"Entre, Sarah. Quer um suco?"
Ela olhou para trás, como se alguém pudesse impedi-la.
"Eu não roubei", disse.
"Eu sei."
"Eu estava guardando."
Essas palavras quase me quebraram.
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