Na noite em que meu irmão me pediu desculpas pelo trabalho que ele roubou de mim.

“Uma vantagem”, repeti.

“Nós entendemos que pode ser difícil”, disse minha mãe. “Ver alguém próximo a você ter sucesso.”

Olhei para ela. "Você faz isso?"

Ela piscou.

A voz do meu pai endureceu. "Essa atitude é exatamente o que queremos dizer."

Landon suspirou. "Não quero que isso se transforme em uma briga."

Claro que não. Brigas são perigosas quando se tem algo a esconder.

Minha mãe olhou para mim com olhos tristes. "Querida, achamos que você deveria se desculpar."

"Para quê?", perguntei, embora já soubesse a resposta.

“Por causa do seu ciúme”, disse meu pai.

O ambiente ficou tão silencioso que consegui ouvir a vela perto do arranjo de mesa chiar suavemente em seu suporte de vidro.

Ciúme.

Depois de anos de telefonemas até altas horas da noite. Depois de escrever as partes difíceis dos projetos dele. Depois de ver minhas ideias entrarem pelas salas nas costas dele enquanto meus pais o chamavam de genial. Depois de ver provas de que ele tinha acessado meus arquivos quarenta e sete vezes. Eles tinham encontrado a história mais simples, aquela que mantinha Landon radiante e me fazia sentir pequena.

Meu pai pousou o garfo.

“E até que isso seja resolvido”, acrescentou ele, “vamos suspender nossa ajuda com as mensalidades”.

Ali estava. A punição. A coleira. A ferramenta final.

Do outro lado da mesa, a boca de Landon relaxou, quase formando um sorriso.

Ele pensou que tinha vencido.

Coloquei meu guardanapo sobre a mesa lentamente.

"Tudo bem", eu disse.

Um alívio percorreu a mesa. Minha mãe suspirou. Meu pai assentiu uma vez, satisfeito. Landon recostou-se na cadeira.

Então eu me levantei.

"Tudo bem", repeti. "Fiquem com a mensalidade. Não preciso mais dela."

A expressão da minha mãe mudou. "O que você quer dizer?"

“Fui aceito em uma universidade em Washington, DC.”

Ninguém se mexeu.

“Eu fui transferido”, eu disse. “Parto amanhã.”

Meu pai olhou fixamente para mim. "Você o quê?"

“Você me ouviu.”

Minha mãe agarrou a borda da mesa. "Você nunca nos contou."

Olhei para ela. "Você nunca perguntou."

Aquela frase teve um impacto diferente do ciúme. Não explodiu. Afundou. Pesada e inegável.

Landon inclinou-se para a frente. "Callum, talvez devêssemos discutir isso em particular."

"Não."

A palavra saiu calma.

Sua expressão mudou.

Finalmente, lá estava: o medo.

Sentei-me novamente e peguei minha bolsa. "Na verdade, vamos conversar aqui mesmo."

"Sobre o quê?", perguntou meu pai.

Olhei para Landon. "O motor de análise."

Parecia que o ar estava acabando no quarto.

A mão de Landon congelou perto do copo.

Savannah olhou para ele. "Que mecanismo de análise?"

“Aquela que Landon vem apresentando como sua obra original há seis anos”, eu disse.

Landon tentou rir. Mas a risada saiu fraca. "Cal, não faça isso."

Minha mãe sussurrou: "Fazer o quê?"

Abri meu laptop e o coloquei sobre a mesa entre a travessa de assado e a torta intocada. A tela iluminou minhas mãos com um tom azul-esbranquiçado enquanto eu abria o arquivo de comparação. Duas colunas apareceram.

Meu sistema de pesquisa.

Plataforma da empresa de Landon.

Lado a lado.

 

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