Meu nome é Theresa e tenho sessenta e três anos. Sou viúva desde jovem e criei minha única filha, Mary Lou, sozinha. Ela era inteligente, doce e linda. Todos diziam que ela tinha um futuro brilhante. E parecia que tinha mesmo.
Aos vinte e um anos, ela conheceu Kang Jun, um homem coreano quase vinte anos mais velho que ela. Eu me opus ao relacionamento — não por preconceito, mas por causa da diferença de idade e da distância. Mas minha filha era teimosa. Havia uma determinação em seus olhos que eu não tinha poder para mudar.
Eles se casaram numa cerimônia simples. Um mês depois, ela partiu com ele para a Coreia do Sul. No aeroporto, ela me abraçou e chorou. Eu também chorei, mas em silêncio. Pensei que ela voltaria em alguns anos. Ela nunca voltou. Passou-se um ano. Depois dois. Depois cinco. Parei de perguntar. Só o dinheiro continuava chegando — todo ano, exatamente oitenta mil dólares, com uma mensagem curta: “Mãe, cuide-se bem. Estou bem.” Essa palavra — bem — era o que mais me preocupava. Fizemos uma chamada de vídeo uma vez. Ela continuava linda, mas seus olhos não eram os mesmos. Sempre com pressa. Sempre distante. Perguntei por que ela não voltava para casa. Ela ficou em silêncio e depois disse: “Estou muito ocupada, mãe.” Não perguntei mais nada. Às vezes, as mães se tornam covardes por medo de ouvir a verdade.
O tempo passou. Minha casa melhorou graças ao dinheiro que ela me enviava. Todos diziam que eu era uma pessoa de sorte. Mas como ser feliz comendo sozinha todos os dias? Todo Natal, eu preparava um lugar especial para ela. Cozinhava seu ensopado favorito e chorava em silêncio. Doze anos. É tempo demais. Finalmente, tomei uma decisão: eu iria para a Coreia. Não contei nada a ela. Para uma mulher de sessenta e três anos que nunca tinha saído do país, era uma loucura. Mas comprei a passagem com as mãos trêmulas e fui.
Cheguei e peguei um táxi até o endereço dela. Uma casa de dois andares, silenciosa — silenciosa demais. O jardim era bonito, mas sem vida. Bati na porta. Ninguém respondeu. A porta não estava trancada. Entrei. A casa estava limpa, limpa demais. Nenhum sinal de que um homem morasse ali. Nenhuma roupa masculina. Nenhum cheiro de comida. Subi as escadas. Um quarto com roupas femininas. Outro que parecia um escritório, quase sem uso. E o último — minhas pernas fraquejaram. Caixas, tantas caixas, cheias de dinheiro. Minha mente ficou em branco. Nesse instante, ouvi a porta se abrir lá embaixo.
"Mãe."
Era a voz dela. Corri. Lá estava Mary Lou — mais magra, mais cansada, mas ainda minha filha. Nos abraçamos em silêncio por um longo tempo. Então perguntei: “Que tipo de vida é essa?” Ela respondeu: “Mãe… eu nunca me casei.”
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