O tempo passou. Minha casa melhorou graças ao dinheiro que ela me enviava. Todos diziam que eu era uma pessoa de sorte. Mas como ser feliz comendo sozinha todos os dias? Todo Natal, eu preparava um lugar especial para ela. Cozinhava seu ensopado favorito e chorava em silêncio. Doze anos. É tempo demais. Finalmente, tomei uma decisão: eu iria para a Coreia. Não contei nada a ela. Para uma mulher de sessenta e três anos que nunca tinha saído do país, era uma loucura. Mas comprei a passagem com as mãos trêmulas e fui.
Cheguei e peguei um táxi até o endereço dela. Uma casa de dois andares, silenciosa — silenciosa demais. O jardim era bonito, mas sem vida. Bati na porta. Ninguém respondeu. A porta não estava trancada. Entrei. A casa estava limpa, limpa demais. Nenhum sinal de que um homem morasse ali. Nenhuma roupa masculina. Nenhum cheiro de comida. Subi as escadas. Um quarto com roupas femininas. Outro que parecia um escritório, quase sem uso. E o último — minhas pernas fraquejaram. Caixas, tantas caixas, cheias de dinheiro. Minha mente ficou em branco. Nesse instante, ouvi a porta se abrir lá embaixo.
"Mãe."
Era a voz dela. Corri. Lá estava Mary Lou — mais magra, mais cansada, mas ainda minha filha. Nos abraçamos em silêncio por um longo tempo. Então perguntei: “Que tipo de vida é essa?” Ela respondeu: “Mãe… eu nunca me casei.”
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