1. O Baile de Máscaras da Esposa Troféu
O Salão de Baile do Hotel Vanguard exalava um aroma de lírios e um desespero silencioso. Estava decorado em tons vibrantes de dourado e branco: balões amarrados às cadeiras, fitas de seda pendendo dos lustres e um bolo de três andares no centro que mais parecia um bolo de casamento do que uma celebração da paternidade iminente.
Sophia Sterling estava perto do bar, tomando um gole de água com gás. Ela usava um vestido simples e elegante cor creme que custaria mais do que um carro para a maioria das pessoas, mas nela, parecia discreto. Quase invisível. E esse era exatamente o objetivo. Por cinco anos, ela aperfeiçoara a arte de ser invisível.
Do outro lado da sala, seu marido, James Sterling, estava em plena audiência. Ele parecia um CEO de uma empresa da Fortune 500: um terno italiano impecável, dentes perfeitos e uma risada um pouco alta demais. Agarrada ao seu braço estava Lila, sua assistente. Lila estava radiante: grávida, esplêndida e vestindo um vestido dourado justo que não deixava nada para a imaginação. "Sophia!" James estalou os dedos, sem olhar para ela. "Traga água para Lila. Sem gelo. Faz mal para o bebê."
Sophia não hesitou. Ela pousou o copo e caminhou até a jarra. "Claro, James."
Ele serviu a água e trouxe para ela. Lila a pegou com um sorriso bobo, acariciando sua barriga redonda.
"Oh, Sophia, você é uma santa!" Lila exclamou, com uma voz artificial e melodiosa. "Eu me sinto péssima por te fazer correr assim. Mas James insiste. Ele diz que você é melhor em... tarefas domésticas."
"Não tem problema nenhum", disse Sophia suavemente. "Quero que tudo seja perfeito para o bebê."
"Viu?" James apertou o ombro de Lila. "Ela entende. Sophia sabe qual é o seu papel. Ela me apoia. Ela sabe que não pode me dar um herdeiro, então está feliz que outra pessoa possa."
A crueldade daquela declaração pairava no ar. Os convidados próximos — vice-presidentes, diretores, membros do conselho — se remexeram desconfortavelmente, encarando suas bebidas. Todos sabiam do caso. Todos sabiam que Lila estava grávida do CEO. Mas James era o queridinho. Ele havia dobrado o valor das ações da empresa em dois anos. No mundo deles, o lucro perdoava os pecados.
"Arruma o cabelo, Sophia", murmurou James, aproximando-se. "Você parece cansada. Preciso que pareça feliz. Precisamos vender essa imagem. Uma família moderna e unida. É bom para a marca."
Sophia levou a mão à cabeça e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. "Entendo, James. Preparei um presente que representa perfeitamente o legado que você está criando."
James riu, conferindo seu reflexo em uma bandeja de prata. "Provavelmente um cobertor de lã. Coloque-o na mesa principal e não me envergonhe. Esta festa é sobre o futuro da Vanguard Global, não sobre seus bicos."
"Não se preocupe", disse Sophia, com a voz impassível. "Usei meus recursos. É um dom que o dinheiro não pode comprar."
Ela aproximou-se da mesa de presentes, repleta de carrinhos de bebê caros, macacões de grife e chocalhos de prata. Colocou uma grande caixa de veludo preto no centro. Ali permaneceu, ameaçadora e pesada, como uma estrela escura absorvendo a luz ao redor.
Sophia checou o celular. Uma única mensagem de um número salvo como Arthur – Jurídico.
O Conselho está reunido na sala de conferências no andar de cima. Estamos acompanhando a transmissão ao vivo. Aguardamos seu sinal.
Sophia respondeu digitando: Imediatamente.
Ela olhou para James, que ria de algo que Lila lhe sussurrara. Ele parecia invencível. Parecia um homem que se achava dono do mundo.
Ele não sabia que estava em cima de um alçapão. E Sophia tinha acabado de abrir a tranca.
2. O Teatro da Crueldade
Uma hora depois, a festa estava em pleno andamento. O champanhe corria solto, a música estava alta e James estava embriagado pela adulação.
Ele bateu com a colher no copo. "Atenção, pessoal!"
Um silêncio profundo tomou conta da sala. James estava de pé no pequeno palco, com o braço em volta de Lila.
"Quero agradecer a todos por terem vindo", bradou ele. "Esta empresa é a minha vida. Mas um homem precisa de um legado. Um filho. E Lila aqui... ela me deu este presente. Para o futuro da Vanguard Global!"
"Ao futuro!" brindaram os bajuladores.
"E agora", anunciou James, apontando para a mesa de presentes. "Um presente da minha adorável esposa, Sophia. Ela está trabalhando nisso há semanas. Vamos ver o que ela criou."
Lila aproximou-se da mesa com um andar desajeitado, deleitando-se com a atenção. Ela estendeu a mão para a caixa de veludo preto.
"É pesado", ele riu. "Você comprou barras de ouro com ele, Sophia?"
Continue na próxima página
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
