Olhei para ele incrédula.
"Não consigo respirar", sussurrei.
Seu olhar desviou-se para os outros convidados antes de voltar para mim. “Você disse a mesma coisa no jantar de aniversário da mamãe, quando ela serviu bolinhos de caranguejo.”
“Porque eram bolinhos de caranguejo.”
Margaret suspirou graciosamente, como uma santa exausta por causa de um pecador difícil. “Daniel, talvez ela só precise de um pouco de ar fresco. A gravidez deixa as mulheres mais emotivas.”
O ambiente ao meu redor começou a ficar embaçado.
Meus lábios ardiam. Meu peito queimava. Uma forte cãibra me impulsionou para a frente, e meu garfo bateu com força no prato.
Alguém gritou: “Liguem para o 190!”
Daniel finalmente se moveu, mas mesmo assim, era tarde demais. Ele agarrou meu braço como se estivesse sendo forçado a me ajudar. “Claire, olhe para mim. Pare de entrar em pânico.”
Eu queria gritar para ele que não era pânico.
Era envenenamento.
No momento em que as luzes piscantes da ambulância iluminaram a casa de Margaret em vermelho e azul, eu estava perdendo e recuperando a consciência. A última coisa que vi antes de um paramédico colocar uma máscara de oxigênio em mim foi Margaret, parada calmamente no hall de entrada, com uma mão no ombro de Daniel, sussurrando: "Ela sempre estraga tudo".
Acordei no hospital, cercada por luzes brancas, máquinas e silêncio.
Daniel estava sentado na beira da cama, pálido.
Sem monitor de bebê.
Sem batimentos cardíacos fracos.
Sem enfermeiras sorridentes.
Apenas silêncio.
Minha médica, Dra. Patel, estava aos pés da cama, com os olhos cheios de tristeza.
"Sinto muito, Claire", disse ela suavemente.
Virei-me para Daniel.
Ele parecia devastado. Mas devastado não era suficiente.
"Conte-me", sussurrei.
Ele cobriu o rosto com as duas mãos.
Nossa filha havia partido.
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