Ela apertou minha mão.
-Nem eu.
Compramos um pouco de gelo de limão e sentamos perto do jardim. O sol brilhava lindamente sobre as pedras. Lucía pegou um caderno e começou a desenhar.
-O que você está fazendo?
"Uma nova foto", disse ele. "Mas Vanessa é culpada."
Ele me mostrou o desenho.
Éramos só nós duas, em pé ao lado de uma cadeira vazia. Havia uma pulseira na cadeira.
"E aquela cadeira?", perguntei.
Lúcia sorriu.
—É para a mamãe. Mas agora a feia não está vazia. Está bem vazia.
Senti meu peito se encher de algo quente.
Eu a abracei pelos ombros.
Naquele dia, entendi que nem todos os casamentos cancelados são fracassos.
Alguns são animais resgatados.
Eu não disse "sim, aceito" na frente da Vanessa.
Mas eu disse um outro sim, mais importante.
Sim, para minha filha.
Sim, eu adoraria ouvi-la chorar, mesmo que a música estivesse alta.
Sim, ele se levantou e desceu do altar quando sua cadeira ficou vazia.
Sim, a não chamar de família aqueles que precisavam apagar uma garota para um verso perfeito.
E desde então, sempre que alguém me pergunta por que um casamento terminou diante de duzentos convidados, não dou muitas explicações.
Estou apenas dizendo a verdade:
Porque minha filha estava chorando no banheiro.
E nenhum amor que me obrigue a ignorar merece chegar ao altar.
