“Nunca confie em um homem que diz: 'Não leia essa parte.'”
Simone abriu a pasta.
Dentro da caixa havia cópias de faturas, e-mails, comprovantes de transferência bancária e memorandos da diretoria.
Uma a uma, ela as colocou sobre a mesa.
Celeste aproximou-se apesar de si mesma.
O primeiro documento mostrava que os custos da reforma estavam inflacionados em quatro milhões de dólares.
A segunda mostrava dinheiro desviado por meio de um fornecedor de propriedade de um amigo de faculdade de Dominic.
A terceira mostrava o pai de Celeste recebendo a promessa de que eu havia renunciado a todos os meus direitos sobre a participação acionária na empresa.
Eu não tinha.
A assinatura de Dominic estava no rodapé de todas as páginas.
Celeste pegou o terceiro documento.
Seus lábios se entreabriram.
“Você disse ao meu pai que ela não tinha nenhum direito legal.”
Dominic exalou.
“Ela não deveria ter descoberto.”
Foi a resposta errada.
Talvez o único honesto.
Celeste olhou para ele como se ele a tivesse esbofeteado.
Do lado de fora do quarto do hospital, vozes ecoavam pelo corredor. Convidados do casamento os haviam seguido. Um padrinho. A mãe de Celeste. Um fotógrafo ainda segurando sua câmera. Alguém sussurrou: "É a ex-esposa?"
Não.
Não é ex-esposa.
Não mais.
Testemunha.
Acionista.
Mãe.
Sobrevivente.
O pai de Celeste chegou por último.
Arthur Bellamy era um homem alto, de cabelos grisalhos e um rosto que fazia os funcionários se endireitarem. Ele ainda vestia o terno formal do casamento, mas a flor na lapela estava amassada.
Ele olhou para mim primeiro.
Depois, olhou para o bebê.
Depois, em Dominic.
“O que você fez?”
Dominic endireitou-se imediatamente.
“Arthur, estão exagerando essa situação.”
Simone entregou a Arthur uma cópia da liminar.
“A fusão não pode prosseguir legalmente hoje.”
Arthur leu a primeira página.
Seu maxilar endureceu.
Dominic estendeu a mão para ele.
“Arthur, não deixe que ela manipule isso. Evelyn está emocionada. Ela acabou de ter um bebê.”
Arthur olhou para mim.
Eu estava pálida, exausta, ainda sangrando, segurando uma criança contra o peito.
Então ele olhou para Dominic.
“Aparentemente, ela também é a única pessoa nesta sala que mantinha registros.”
Celeste começou a chorar.
Não suavemente.
Não de forma bonita.
Ela chorou como uma mulher que vê seu casamento se transformar em um fracasso comercial em tempo real.
O telefone de Dominic começou a tocar.
Depois, a de Celeste.
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