—Ela está tão traumatizada com essa história de "na saúde e na doença" que nunca vai embora. Eu a tenho completamente sob meu controle.
Fiquei sem fôlego.
"E a herança?", perguntou o homem.
Esteban caiu na gargalhada novamente.
—Tudo pelo meu filho, obviamente. Pelo Tomás. Ele é meu sangue. A Brenda está cuidando da casa até eu morrer.
Meu peito se partiu.
Thomas.
Seu filho de outro casamento.
A mesma pessoa que costumava entrar na minha casa sem dizer olá.
A mesma pessoa que deixava pratos sujos e me chamava de "senhora" como se eu fosse uma funcionária.
A mesma pessoa para quem Esteban me pediu paciência.
—Ele ficou afetado por me ver daquele jeito, Brenda.
Mentira.
Para ambos, foi conveniente me ver agachado.
Esteban falou novamente:
—Além disso, enquanto ela limpa minha bunda, eu não gasto um centavo. Você sabe quanto ganha uma enfermeira em tempo integral?
O homem respondeu:
—Uma fortuna.
—Bem, eu tenho isso para comida e abrigo.
Algo dentro de mim morreu ali.
Eu não chorei.
Eu não entrei lá para gritar.
Eu não joguei as granadas na cara dele.
Eu simplesmente me virei e saí do hospital com as pernas tremendo.
No estacionamento, sentei-me dentro do carro.
Apertei o volante com tanta força que meus dedos doíam.
E eu disse baixinho:
-Acabou.
Eu não fiquei com ele naquela noite.
Enviei a ambulância.
Quando ele chegou em casa, olhou para mim com raiva da maca.
—Onde você estava? Estava te esperando.
-Ocupado.
Ele franziu a testa.
—Você trouxe meu pão?
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