Naquela noite, saí da mansão com as palavras dele ainda ecoando na minha cabeça.
Por volta da meia-noite, tive que levar Noah correndo de volta para o hospital. Os médicos o estabilizaram, mas o aviso era claro: a operação não podia esperar mais.
Na manhã seguinte, liguei para Arthur do estacionamento do hospital.
“Se eu disser sim, o dinheiro será pago ao hospital hoje.”
“Está feito”, ele disse.
Fechei os olhos.
“Então sim. Eu me casarei com você.” Noah foi internado naquela tarde para cuidados pré-operatórios. Suas bochechas recuperaram a cor rapidamente, e o médico disse que ele poderia comparecer ao casamento, contanto que não se demorasse e retornasse imediatamente após.
Rosas brancas adornavam a grande escadaria da mansão. Repórteres se aglomeravam em frente aos portões, tirando fotos da "noiva misteriosa do milionário".
Eu usava um vestido simples cor marfim que o alfaiate de Arthur havia feito às pressas durante a noite.
Noah estava ao meu lado, vestido com um terno azul-marinho, sorrindo como se algo maravilhoso estivesse acontecendo. Ele não fazia ideia de que eu havia concordado com aquele casamento unicamente para salvá-lo.
Os filhos de Arthur me encararam durante toda a cerimônia e saíram o mais rápido possível.
Naquela noite, Arthur me levou para seu escritório e fechou a porta atrás de nós.
"Os médicos já receberam o pagamento", disse ele. "Você finalmente saberá com o que realmente concordou."
Meu coração afundou quando ele deslizou uma pasta grossa sobre a mesa envernizada.
"Abra", disse ele suavemente.
Com as mãos trêmulas, levantei a tampa.
A pasta estava cheia de documentos legais. Na primeira página, meu nome estava impresso em letras pretas em negrito ao lado do de Eleanor.
"Você agora é a tutora legal de Eleanor", disse Arthur. "E a executora de todo o meu testamento. Alterei meu testamento para que você receba a maior parte."
Encarei-o, sem conseguir respirar direito.
"Por que você faria isso?"
"Porque sei o que meus filhos estão planejando", disse ele. "E me recuso a deixá-los vencer."
"Eu sei que eles estão brigando pela herança", disse baixinho.
Arthur assentiu. "Eles estão dividindo meu patrimônio como se eu já estivesse morta. Mas é pior do que isso. Vivien quer mandar Eleanor para o asilo mais barato que encontrar. Ouvi dizer que minha irmã é um peso para a herança."
Cubri a boca com a mão.
“Meus filhos estão esperando eu morrer para se aproveitarem de mim e se livrarem da Eleanor”, continuou ele. “Mas você não pensa como eles.” “Você...”
A porta do escritório se abriu de repente.
Vivien entrou furiosa, seguida por dois homens de terno escuro, com suas pastas balançando ao lado deles.
“Vivien, o que você está fazendo?” Arthur exigiu.
Ela apontou para mim. “Sua interesseira! Eu sei perfeitamente o que você está tramando e não vou deixar você manipular meu pai para que ele doe sua fortuna. Meus advogados já prepararam uma petição. Abuso de idoso. Manipulação.”
Um dos homens deu um passo à frente, segurando alguns papéis.
“Você deveria ler isso com atenção.”
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