Benedita, a lutadora com a vassoura

Ninguém a queria.

Os preços caíram. Cinco reais, três reais, dois reais, um riel. Nada.

Então, uma voz grave se ergueu do fundo da praça:

"Sete centavos."

Joaquim Lacerda, o homem que viveu os momentos mais intensos. experiência.
A voz pertencia a Joaquim Lacerda, dono da fazenda Santo António, uma plantação de café de tamanho médio, com 320 hectares e cerca de oitenta trabalhadores forçados.

Joaquim tinha pouco mais de cinquenta anos. Seus cabelos eram grisalhos, sua barba bem cuidada e suas roupas simples, porém limpas. Ele não era rico nem poderoso. Era um homem que sobrevivia em uma terra endividada, calculando cada despesa, cada colheita, cada possível prejuízo.

Os outros compradores riram. Sete centavos por aquela mulher que consideravam inútil. Aos olhos dela, Joaquim estava perdendo a cabeça.

Veja o resto na próxima página.

O leiloeiro, aliviado por não ter que devolver a mercadoria, bateu o martelo. Benedita havia sido vendida.

Joaquim subiu na plataforma, removeu a corrente do tornozelo dela e a levou embora. Ela o seguiu em silêncio, com o rosto inexpressivo.

Caminharam três quilômetros até a fazenda. Joaquim montava seu velho cavalo castanho. Benedita o seguia a pé, acorrentada, com os pés sangrando por causa da sujeira. caminho.

Quando chegaram, o sol estava se pondo. O céu estava tingido de laranja e roxo. Joaquim desmontou, amarrou o cavalo e levou Benedita direto para o celeiro.

Uma proposta inesperada.

O celeiro era uma grande estrutura de madeira onde ficavam ferramentas, sacos de café e alguns animais. Joaquim fechou a porta, acendeu uma lamparina de querosene e sentou-se em um banquinho.

Observou Benedita por um longo tempo antes de lhe fazer uma pergunta simples:

"Você sabe ler?"

Ela não respondeu.

Ele tentou novamente:

"Você sabe lutar?"

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