Íamos passar quatro dias na praia. Só isso. Mas parecia que eu estava escalando uma montanha.
Dois anos haviam se passado.
Minha filha de seis anos já estava dormindo, com seu aviãozinho de pelúcia debaixo do braço. Ela o havia batizado de "Buzz" um ano antes, e ele não havia saído de perto dela desde então.
Fiquei sentada ali por um longo momento, passando o polegar sobre os pequenos adesivos de nuvens.
"Você consegue, Tina", sussurrei para mim mesma. "É só um voo."
Meu celular vibrou.
Era um e-mail da companhia aérea.
"Você consegue, Tina."
Dei uma olhada rápida.
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Dizia algo sobre uma mudança de aeronave para o voo de amanhã. Os passageiros foram realocados automaticamente quando necessário.
Verifiquei nossos cartões de embarque novamente. Assento 7A para Emma, assento 7B para mim. Eles ainda estavam lá. Ainda confirmados.
Seria o primeiro voo da minha filha.
Eu havia reservado aquele assento na janela meses antes porque Emma precisava dele devido ao autismo.
Dei uma olhada rápida.
Observar o céu, a luz do sol e as nuvens passando era o que a acalmava sempre que uma crise começava a se formar. De alguma forma, isso a ajudava a se manter tranquila.
"Está tudo bem", disse a mim mesma. "O assento da janela ainda é nosso."
***
Na manhã seguinte, no portão de embarque, Emma segurava Buzz contra o peito e olhava fixamente para o enorme avião através do vidro.
De alguma forma, eles a ajudavam a se manter calma.
"Mamãe, é aquele?", perguntou ela.
"É aquele, meu amor."
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"E eu vou poder ver as nuvens?"
Agachei-me à sua altura.
"Você vai ficar com o assento da janela! Sete A. Está esperando por você."
Minha filha deu aquele sorriso pequeno e cauteloso que ela reservava para coisas muito importantes, e meu peito doeu de tanto amor por ela.
"E eu vou poder ver as nuvens?"
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