Durante 22 anos, preparei lanches, fiz tranças malfeitas, trabalhei em turnos duplos, aguentei febres, feiras de ciências, corações partidos e três fases distintas em que todos me odiavam ao mesmo tempo.
Perdi casamentos. Férias. A chance de ter minha própria família.
Não porque me pediram. Mas sim porque alguém tinha que ficar.
No dia da formatura, eu tinha barba grisalha, um joelho ruim e uma câmera barata tremendo na mão.
As garotas atravessaram o palco da faculdade uma após a outra.
Ava.
Claire.
Junho.
Trincas, mas nunca cópias.
Ava chorou antes de chamarem seu nome.
Claire acenou para mim como se ainda tivesse oito anos.
June parecia séria, como se carregasse algo mais pesado do que um diploma.
Então o reitor voltou ao microfone.
“Temos mais uma apresentação antes de encerrarmos.”
As meninas voltaram juntas para o palco.
June pegou o microfone.
“Nosso pai não pôde estar aqui hoje”, disse ela.
Então Ava tirou um papel dobrado da manga do vestido.
Claire cobriu a boca com a mão.
“Encontramos o que ele deixou para trás”, disse June.
E quando ela leu a primeira linha, meus joelhos tocaram o chão.
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