Aquele homem era Mateo Herrera, proprietário e CEO do Grupo Herrera, uma das marcas de relógios mais exclusivas do México. Só que ninguém naquela filial sabia disso. Cansado de reuniões, jantares de fachada e sorrisos comprados, ele decidiu entrar em uma de suas próprias lojas disfarçado de pessoa invisível.
Queria saber como eles tratavam aqueles que aparentemente não tinham dinheiro.
Fernanda, a vendedora mais convencida do lugar, olhou-o de cima a baixo como se ele tivesse manchado o chão de mármore.
—Se você veio apenas para perguntar sobre os preços, é melhor eu lhe dizer logo de cara: eles são caros.
Do outro balcão, Lucía ergueu os olhos. Tinha vinte e sete anos, o cabelo simplesmente preso para trás, e possuía uma calma que parecia incontrolável. Largou o pano que usava para limpar um relógio antigo e aproximou-se.
—Boa tarde, senhor. Seja bem-vindo. Gostaria que eu lhe mostrasse uma maquete?
Mateo apontou para um relógio com caixa em ouro rosa e pulseira de couro preta.
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