E eu fiquei ali parado, tentando ser o filho que todos esperavam que eu fosse.
Forte.
Útil.
Ainda de pé.
Meu pai, Raymond Mercer, tinha sessenta e seis anos. Disseram que ele havia sofrido um ataque cardíaco em seu escritório e já havia falecido quando a ambulância chegou.
Durante três dias, escolhi flores, assinei documentos, consolei minha mãe e me convenci de que a tristeza era a única coisa que estava acontecendo.
Então o coveiro me parou.
“Seu pai me pagou”, disse ele.
Eu fiquei olhando para ele.
“Te paguei por quê?”
Ele olhou por cima do ombro antes de se inclinar para mais perto.
“Enterrar um caixão vazio.”
Por um instante, minha mente se recusou a aceitar as palavras.
“Meu pai está morto”, eu disse. “Eu o vi.”
A expressão do homem não mudou.
“Você viu o que ele queria que você visse.”
Quase dei um passo para trás.
Algumas frases são tão impossíveis que sua mente as rejeita antes mesmo que o medo possa começar.
Então ele pressionou algo frio na minha palma da mão.
Uma pequena chave de latão.
O número 17 estava gravado nele.
