Audrey correu para a cozinha e começou a abrir os armários.
“Não tem nada aqui”, disse ela. “Nem sequer tem uma geladeira.”
Nolan subiu as escadas em disparada, seus passos ecoando pela casa vazia.
“Os quartos estão vazios”, gritou ele. “Os armários também.”
O rosto de Cynthia empalideceu sob sua maquiagem impecável.
“Você roubou os móveis.”
“Não”, respondi calmamente. “Vendi meus móveis. Cada item desta casa foi comprado por mim, faturado em meu nome, segurado por mim ou herdado por mim. Os pertences pessoais de Preston estão na garagem, encaixotados e etiquetados. Suas roupas estão em quatro caixas. Seus tacos de golfe estão ao lado da porta. Seu suplemento de proteína vencido também está lá, infelizmente.”
Alguém lá fora riu.
As mãos de Cynthia se fecharam em punhos.
“Seu pequeno e rancoroso—”
“Cuidado”, alertou o policial.
Audrey voltou da cozinha, agora genuinamente perturbada.
“Não tem fogão. Não tem lava-louças. Não tem eletrodomésticos. Como é que alguém vai conseguir morar aqui?”
Inclinei a cabeça.
“Essa parece ser uma pergunta para alguém que planejava morar aqui sem permissão.”
Foi nesse momento que a expressão de Cynthia mudou de verdade.
Ela se imaginava no meu quarto principal. Imaginava almoços à beira da piscina, Audrey filmando no meu closet, Nolan usando o escritório e Preston voltando quando bem entendesse. Para eles, meu divórcio não tinha sido o fim de um casamento.
Era o dia da mudança.
Mas a casa não lhes ofereceu nada.
Apenas espaço.
Apenas calor.
Apenas o som da sua própria arrogância ecoando de volta para eles.
Então Audrey começou a se abanar.
“Por que está tão quente aqui?”
Nolan pressionou o termostato.
“Não está funcionando.”
Audrey abriu a torneira da cozinha. Os canos tossiram seco, e nada saiu.
“Não há água?”
Cynthia olhou fixamente para mim.
“O que você fez com os serviços públicos?”
“Eu cancelei tudo”, eu disse. “Não moro mais aqui. Luz, água, TV a cabo, internet — tudo. O imóvel está em reforma.”
Nolan parecia horrorizado.
“Não tem internet?”
O semblante de Audrey se fechou.
“Sem Wi-Fi?”
Quase sorri.
“Sem Wi-Fi.”
E ali, dentro de uma mansão sem móveis, sem eletrodomésticos, sem água, sem ar condicionado, sem internet e sem direito legal de permanecer no local, o belo plano da família Vale começou a desmoronar.
Os serviços de mudança se tornaram o próximo problema que Cynthia não havia previsto.
Eles estavam esperando do lado de fora havia horas, e trabalhadores com caminhões não gostam de ser arrastados para uma fantasia familiar sem receber nada em troca. O capataz deles, um homem grande de cabelos brancos chamado Hank Porter, aproximou-se de Cynthia com uma prancheta.
“Vamos descarregar ou vamos voltar?”
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