Depois que a calçada finalmente ficou vazia, me virei para Eli. "Vamos levar tudo isso para dentro."
“Podemos abrir algumas primeiro?”, perguntou ele.
“Não, Eli.”
“Por favor, mãe. Talvez algumas pessoas só quisessem ser gentis.”
“Eles nos assustaram.”
“Eu sei. Eu também não gosto disso.”
“Eli, transformaram o guarda-chuva do seu pai em um projeto da cidade.”
Eli olhou para o guarda-chuva azul debaixo do meu braço. "Talvez o papai tivesse gostado dessa parte."
Queria discordar, mas nenhuma palavra me veio à mente.
Eli balançou a cabeça. "Não. Quero ver por que as pessoas vieram."
Analisei seu rosto. "Algumas caixas."
Ele me deu um pequeno sorriso.
A caixa nº 2 continha um bilhete do Sr. Collins, o motorista do ônibus de Eli.
Carina,
Ninguém divulgou seu endereço. Preciso que você saiba disso primeiro.
Depois que a publicação de Jenelle se espalhou, as pessoas levaram guarda-chuvas e bilhetes para o ponto de ônibus da Rota 47. Algumas deixaram envelopes na rodoviária ou me entregaram.
Eu deveria ter ligado antes de trazê-los aqui. Pensei que estava fazendo algo bonito para um menino de quem gosto. Agora vejo que deveria ter batido na porta primeiro.
Levantei os olhos da página.
"Foi o Sr. Collins que fez isso?", perguntou Eli.
Jenelle piscou. "Eu não sabia."
Dessa vez, eu acreditei nela.
Uma voz familiar soou da calçada. "Eu te devo um pedido de desculpas, Carina."
O Sr. Collins estava perto da caixa de correio, vestindo sua capa de chuva, girando o boné entre as mãos.
Eli endireitou-se. "Sr. Collins?"
O homem mais velho olhou para ele com olhos gentis. "Bom dia, garoto."
Levantei o bilhete. "Você colocou tudo isso aqui?"
“Sim, senhora. Dois voluntários da igreja e eu. Antes do amanhecer.” Ele olhou para os guarda-chuvas. “Não dei seu endereço a ninguém. Eu mesmo os trouxe porque levo o Eli para casa de carro.”
“Então por que não me liga?”
Ele engoliu em seco. "Passei por aqui ontem à noite, mas suas luzes estavam apagadas. Aí me empolguei. As pessoas ficavam dizendo: 'Aquele menino merece saber'."
Então Eli disse: "Você ainda poderia ter batido na porta."
O Sr. Collins assentiu com a cabeça. "Você tem razão. Eu deveria ter feito isso."
A caixa nº 3 tinha um cheiro doce, como de açúcar. Dentro dela havia um cartão-presente da sorveteria perto da biblioteca.
“Para o menino que se lembrou da bondade. Um sundae por mês. Com granulado incluso.”
Eli piscou. "Você acha que eles estão falando de qualquer sundae?"
“Eli.”
“Estou perguntando…”
Contra a minha vontade, eu ri.
A caixa nº 4 continha um vale-presente para uma loja de calçados.
“Para a criança que voltou para casa encharcada para que outra pessoa não precisasse passar pelo mesmo. Escolha tênis impermeáveis.”
“Aquelas vermelhas com raios?” perguntou Eli.
Você já sabe?
“Eu já sabia disso há meses.”
Olhei para o Sr. Collins. "O senhor sabe muito sobre meu filho?"
“Sei que ele me agradece todas as tardes”, disse ele. “Sei que ele deixa as crianças pequenas descerem primeiro. No inverno passado, quando outro menino esqueceu as luvas, Eli lhe deu uma das suas.”
Eli corou. "Era só uma luva."
“É exatamente esse o meu ponto”, disse o Sr. Collins.
A caixa nº 5 continha um passe para a pista de skate.
O sorriso de Eli foi desaparecendo aos poucos.
Coloquei a mão no ombro dele. "Você está bem?"
“Meu pai disse que ia me ensinar a patinar.”
"Eu lembro."
"Eu ainda quero ir", disse Eli. "Mas não a rampa grande."
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