David colocou a caixa no chão tão rápido que quase deixou cair. "A sua antiga estava ruim", ele disse. "Quer dizer, não ruim ruim, só... não estava funcionando direito. E eu encontrei uma, e pensei que talvez..."
Os olhos de Emily se encheram tão rápido que meu peito doeu.
"Você comprou uma cadeira de rodas pra mim?" ela sussurrou.
David pareceu envergonhado. "Sim."
"Como?"
Ele hesitou.
Eu respondi por ele. "Ele vendeu o violão dele, querida."
Jillian colocou a mão na boca.
Emily o encarou como se ele tivesse entregado a lua. "Por que você faria isso? Você ama tocar violão, David."
Meu filho deu de ombros, seu movimento favorito quando fazia algo enorme e queria fingir que não era nada. "Porque você precisava, Em."
O pai de Emily, Nathan, apareceu no corredor nesse momento, ainda de calça de uniforme e camiseta cinza, como se tivesse acabado de sair do trabalho. Ele olhou para a caixa, depois para Emily chorando, depois para David.
"O que está acontecendo aqui?"
Jillian se virou para ele. "David vendeu o violão dele para comprar uma cadeira nova para Emily."
Nathan ficou completamente imóvel, parecendo de repente mais jovem e mais cansado ao mesmo tempo.
David, coitado, interpretou o silêncio como problema.
"Tudo bem se você não quiser", ele disse rápido. "Quer dizer, eu já paguei, mas eu poderia..."
Emily começou a chorar de verdade. "Não! Não, eu quero. Eu preciso."
Ela riu entre lágrimas e o abraçou, e David deu um passo estranho à frente, deixando que ela o abraçasse enquanto suas orelhas ficavam vermelhas.
Então Jillian também estava chorando.
Nathan não estava. Mas algo no rosto dele mudou de um jeito que eu nunca esqueci.
Ele se aproximou devagar de David, como se não quisesse assustá-lo. "Filho", ele disse, a voz rouca. "Você vendeu algo que amava pela minha filha?"
David olhou para o chão. "Sim, senhor."
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