"Perguntei por aí. Jeremy, eu te conheço. Um cara legal. Tem a idade certa. Se encaixa perfeitamente."
Eu deveria ter recusado. Quase recusei.
"Só aos fins de semana?", perguntou ele.
"Somente nos fins de semana. Se quiser, traga flores para ela. Sente-se lá por uma hora. Sorria. Vá embora."
Minha mão se moveu antes que minha consciência pudesse impedi-la. Aproximei o dinheiro de mim e senti seu peso se acomodar na palma da minha mão como uma pequena pedra pesada.
“Quando eu começo?”
Quase audível. Por um instante, ele pareceu um homem aliviado por poder transferir seu fardo para os ombros de outra pessoa.
"Sábado. E Jeremy. Não se apegue."
Assenti com a cabeça, agora consciente de que havia concordado em me tornar alguém que eu não era.
O corredor do asilo cheirava a desinfetante e rosas murchas. Minhas mãos suavam enquanto eu repetia o nome que Tim havia repetido à exaustão ao telefone na noite anterior.
Quarto 214. Bati uma vez, abri a porta e entrei.
Rosie sentou-se junto à janela com um cobertor fino dobrado sobre os joelhos. Lentamente, ergueu a cabeça, piscando devido à luz brilhante da tarde.
"Mãe", eu disse, a palavra soando estranha na minha língua. "Sou eu. Tim."
Por um longo tempo, ela apenas ficou olhando para o meu rosto. Então sua expressão suavizou e ela ergueu uma mão trêmula em minha direção.
"Aqui está você!" ele sussurrou.
Atravessei a sala e peguei em suas mãos. Esperava me sentir inteligente e distante. Em vez disso, a vergonha subiu-me à garganta.
"Sente-se, sente-se", disse Rosie, batendo na cadeira ao lado dela. "Você já comeu? Parece cansada."
“Estou bem, mãe.”
"Você está dormindo o suficiente, Timmy? Você sempre se esforça demais."
Ninguém me fazia essas perguntas há anos. Nem depois que meu pai foi embora. Nem depois que minha mãe adoeceu.
Fiquei ali por uma hora, deixando-a falar a maior parte do tempo. Rosie falou de um jardim em que eu nunca tinha estado e de um cachorro que eu nunca tive, e eu assenti como se aquelas lembranças me pertencessem.
Quando me levantei para ir embora, ele apertou minha mão com força.
"Volte logo."
“Sim, mãe.”
Ao me virar em direção à porta, olhei para trás e vi lágrimas brilhando em seus olhos. Ela rapidamente se virou e as enxugou com a ponta do cobertor.
Na minha segunda visita, levei tulipas. Na terceira, levei uma caixinha de chocolates de caramelo, que a enfermeira me disse que a Rosie gostava. Na quarta visita, cheguei numa quarta-feira, mesmo que o Tim não tivesse pago por aquele dia.
No corredor, encontrei Margaret, uma mulher delicada com olhos penetrantes e um casaco de malha que lhe era muito grande. Ela me viu passar pela porta com flores na mão.
“Você a visita com frequência”, disse ela.
“Ela é minha mãe.”
Margaret inclinou a cabeça. "Ela é a pessoa mais doce de todas. Você tem sorte."
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