Esteban a rejeitou com um gesto brusco.
-Não me toque.
Ela não ficou chateada.
—Sr. Esteban, posso esperar. Mas sua esposa não será mais quem cuidará dele durante a noite.
—Eu mando nesta casa.
Olhei em volta.
O quarto onde eu dormia numa poltrona para ouvi-lo respirar.
A cozinha onde eu comia em pé porque ele me chamava antes que eu pudesse me sentar.
O banheiro adaptado que ela limpava todos os dias.
As paredes estavam cobertas de fotos do nosso casamento, onde eu aparecia de vestido branco com um rosto que ainda não sabia o que o futuro me reservava.
—Não, Esteban —eu disse—. Não estou mais aqui.
Naquela noite, dormi no meu quarto com a porta fechada pela primeira vez.
Não dormi bem.
O corpo não aprende a ser livre da noite para o dia.
Acordei várias vezes esperando ouvir sua voz.
“Brenda.”
“Brenda, água.”
“Brenda, me vire de costas.”
“Brenda, não seja inútil.”
Mas Claudia estava na sala de estar.
E sempre que a vontade de levantar me dominava, eu apertava o travesseiro e repetia para mim mesma:
Eu não sou cruel.
Estou vivo.
Na manhã seguinte, Esteban não falou comigo.
Melhorar.
Preparei o café, esquentei uma concha que havia comprado para mim e sentei-me à mesa.
A primeira mordida teve gosto de culpa.
A segunda, uma vitória.
Às dez horas, minha advogada, Rebeca Salas, chegou.
Ela entrou usando sapatos de salto baixo, carregando uma pasta preta e com um olhar que não pedia permissão.
-Bom dia.
Esteban fingiu dignidade.
—Não vou falar sem a presença do meu advogado.
"Perfeito", disse ela. "Então eu os avisarei."
Tomás também chegou.
Claro.
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