Depois de cinco anos dando banho no meu marido paralítico, ouvi-o rir e dizer que eu era "uma enfermeira gratuita". Naquele dia eu não gritei... naquele dia comecei a tirar tudo dele sem que ele percebesse.

 

Esteban a rejeitou com um gesto brusco.

-Não me toque.

Ela não ficou chateada.

—Sr. Esteban, posso esperar. Mas sua esposa não será mais quem cuidará dele durante a noite.

—Eu mando nesta casa.

Olhei em volta.

O quarto onde eu dormia numa poltrona para ouvi-lo respirar.

A cozinha onde eu comia em pé porque ele me chamava antes que eu pudesse me sentar.

O banheiro adaptado que ela limpava todos os dias.

As paredes estavam cobertas de fotos do nosso casamento, onde eu aparecia de vestido branco com um rosto que ainda não sabia o que o futuro me reservava.

—Não, Esteban —eu disse—. Não estou mais aqui.

Naquela noite, dormi no meu quarto com a porta fechada pela primeira vez.

Não dormi bem.

O corpo não aprende a ser livre da noite para o dia.

Acordei várias vezes esperando ouvir sua voz.

“Brenda.”

“Brenda, água.”

“Brenda, me vire de costas.”

“Brenda, não seja inútil.”

Mas Claudia estava na sala de estar.

E sempre que a vontade de levantar me dominava, eu apertava o travesseiro e repetia para mim mesma:

Eu não sou cruel.

Estou vivo.

Na manhã seguinte, Esteban não falou comigo.

Melhorar.

Preparei o café, esquentei uma concha que havia comprado para mim e sentei-me à mesa.

A primeira mordida teve gosto de culpa.

A segunda, uma vitória.

Às dez horas, minha advogada, Rebeca Salas, chegou.

Ela entrou usando sapatos de salto baixo, carregando uma pasta preta e com um olhar que não pedia permissão.

-Bom dia.

Esteban fingiu dignidade.

—Não vou falar sem a presença do meu advogado.

"Perfeito", disse ela. "Então eu os avisarei."

Tomás também chegou.

Claro.

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