Fiquei ali parada, segurando firmemente minha taça de vinho. Eu ainda não confiava na minha voz, então apenas inclinei a cabeça e esperei.
A porta se abriu de repente e a pessoa que havia batido entrou. Virei-me lentamente, preparando-me para uma mulher desconhecida. Mas ela não era uma estranha.
Era a Diane!
Minha madrasta entrou como se o lugar lhe pertencesse, com uma pasta de couro debaixo do braço e o mesmo sorriso forçado que usara no Dia de Ação de Graças, o mesmo que ostentou em novembro passado, quando meu pai ergueu um copo e disse: "À Diane Vanessa, a mulher que mantém esta família unida".
"Oi, Sandra", disse Diane. "Sente-se, querida. Precisamos revisar alguns documentos."
O chão parecia inclinar-se sob meus pés.
Anos de fragmentos dispersos foram reorganizados num instante.
* A "Vanessa" no celular do Aaron era minha madrasta; só parentes mais velhos costumavam usar o nome do meio.
* As contas bancárias separadas.
* A gaveta trancada claramente continha o que meu marido estava escondendo.
* O jeito como meu marido insistia para que eu colocasse a casa no nome dele.
Diane. Ela sempre fora Diane!
"Vocês dois se conhecem", eu disse. Não era uma pergunta.
Finalmente, Aaron estendeu a mão, colocou uma pilha de documentos no balcão e os deslizou em minha direção.
"Assine a primeira página, Sandra. Você vai assinar de qualquer jeito. Você não tem nenhuma reserva financeira que não esteja atrelada à minha, e um pai que vai te sustentar não importa o que a Diane diga. Você não tem nada e não tem para onde ir. Então vamos parar de fingir que você tem escolha e começar a ser honestos um com o outro. Você vai se sentir melhor. Confie em mim", disse Aaron.
Ele sorriu como se estivesse me fazendo um favor.
“Você tem razão. Aliás, nos conhecemos desde o último ano do ensino médio. Sua madrasta falou comigo no funeral da sua mãe.”
“Você foi tão generoso”, acrescentou Diane gentilmente. “Tudo o que Aaron precisava fazer era ter paciência com você. Mantê-lo confortável e esperar. Essa parte foi só para meu deleite. Digamos que foi ‘jogar a longo prazo’. E você perseverou e finalmente ‘venceu’!”
Agarrei-me ao balcão para não perder o equilíbrio.
“E a proposta?”
“Essa foi a segunda fase”, disse Aaron, como se estivesse apresentando um plano de negócios. “O casamento me dá personalidade jurídica. Diane compra a propriedade por minha intermediação. Um negócio familiar tranquilo e descomplicado.”
Minha madrasta bateu na pasta.
“Só uma escritura de cessão de direitos sobre a casa, querida. E um pequeno reconhecimento do fideicomisso. O Aaron cuidará do resto.”
Olhei para os papéis. Depois, olhei de volta para a mulher que, durante 20 anos, me chamou de ingrata por herdar a casa da minha própria mãe.
“Você pagou a um adolescente para sair comigo?”
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